Home » Entrevista » Entrevista Bayarde V. de Camargo ex-Gerente da Varig em Brasília

Entrevista Bayarde V. de Camargo ex-Gerente da Varig em Brasília

VOENEWS: Qual o seu nome completo e como sempre foi tratado no trade turístico ?
BAYARDE: Bayarde Vieira de Camargo Filho e sempre fui chamado pelo primeiro nome: Bayarde

VOENEWS: Qual a sua naturalidade e os nomes dos seus pais ?
BAYARDE: Nasci no estado de São Paulo na cidade de Rancharia e sou filho de Bayarde Vieira de Camargo e Maria Singh de Camargo. Minha mãe, filha legitima de indiano, da Índia Inglesa.

VOENEWS: Qual seu estado civil ? se casado qual o nome de sua esposa ?
BAYARDE: Sou casado com Suely Bandeira de Camargo

VOENEWS: Quanto tempo atuou no turismo ?
BAYARDE: 32 anos

Bayarde e premiações á agentes Foto: Bayarde com profissionais do turismo de Brasília.

VOENEWS: E qual a sua Formação ?
BAYARDE: Sou formado em Administração de Empresas.

VOENEWS: Qual a data do seu nascimento e seu signo ?
BAYARDE: Áries, nasci em 22 de março de 1949.

VOENEWS: Quantos filhos você tem e quais são os nomes e idades deles?
BAYARDE: Tenho três filhos, Tatiana Bandeira de Camargo (35); George Bandeira Vieira de Camargo (34) – Marcel Vieira de Camargo- (33)

VOENEWS: Atualmente pratica algum esporte ?
BAYARDE: Hoje, apenas caminhadas entrecortadas por corridinhas medicinais.

VOENEWS: E animais de destimação, possui algum ?
BAYARDE: Somente em miniatura.

VOENEWS: Sr. Bayarde para você o que é indispensável ?
BAYARDE: Dinheiro.

Bayarde com Caio Carvalho Min. do Turismo, Michelão e outrosFoto: Bayarde com o Ministro do Turismo Caio Carvalho

VOENEWS: Poderia nos citar um ídolo ?
BAYARDE: Sim, Golda Meir.

VOENEWS: Qual a sua comida favorita ?
BAYARDE: Costelinha de porco com arroz (uma vez por semestre).

VOENEWS: Tem alguma superstição ?
BAYARDE: Criar elefante em apartamento pequeno. Dá azar!

VOENEWS: Quando criança sonhava em ser o quê, profissionalmente?
BAYARDE: Sonhava ser policial. Na época pareciam melhores. Mas eu era sonhador.

VOENEWS: E no transporte aéreo alguma vez passou pela sua cabeça ?
BAYARDE: Trabalhar no transporte aéreo, jamais. Entretanto, revendo a história da família, observei que sempre estivemos ligados ao segmento. Vejam, meu bisavô tinha tropa de mulas: transportava sal de Santos para Jundiaí. Meu pai era ferroviário, trabalhou para a Sorocabana. Eu, aeroviário, na Varig. Um neto poderá trabalhar com transporte interplanetário. Vai saber.

VOENEWS: Vamos fazer umas perguntas daquelas bate e volta… vamos lá

VOENEWS: Uma alegria?
BAYARDE: Aposentar-me… vivo.

VOENEWS: Uma tristeza ?
BAYARDE: O desaparecimento da Varig.

Bayarde com os capitães das Seleções Brasileiras Bellini, Mauro e Carlos Alberto TorresFoto: Bayarde com os capitães das Seleções Brasileira:Bellini, Mauro e Carlos Alberto Torres
VOENEWS: Um livro ?
BAYARDE: Crime e Castigo (Dostoievsky).

VOENEWS: Um Filme ?
BAYARDE: Poderoso Chefão.

VOENEWS: Qual seu estilo musical preferido ?
BAYARDE: Hoje, Jazz( instrumental).

VOENEWS: No que se acha bom ?
BAYARDE: Cozinhando.

VOENEWS: No que não se acha bom ?
BAYARDE: Ensinando minhas receitas.

VOENEWS: Você não poupa dinheiro na hora de ?
BAYARDE: Economizar!

VOENEWS: Tem algum sonho de consumo ainda não realizado?
BAYARDE: Volta ao mundo em 800 dias.

Bayrde jogando com Chico Buarque e Aécio Neves ao fundoFoto: Bayarde jogando futebol com Chico Buarque e Aécio Neves ao fundo

VOENEWS: Tem algum projeto em mente no âmbito pessoal ou profissional?
BAYARDE: Não é bem um projeto, mas um plano: Entrar pra ANAC, mas ainda não encontrei um senador para me ajudar.

VOENEWS: Qual sua viagem inesquecível?
BAYARDE: Madrid, minha Lua de Mel.

VOENEWS: Pra você, qual é o melhor lugar do Mundo?
BAYARDE: Perto do Banco, onde retiro minha aposentadoria.

VOENEWS: Poderia mencionar uma frase que te marcou ?
BAYARDE: “Não posso alterar meus defeitos, pois não sei qual deles é base da minha estrutura”. (Acho que é da Clarisse Lispector). Outra, popular : “ Nunca brinque com quem você não tem intimidade”!). Porque também serve para animais!

VOENEWS: Quando começou no turismo e como foi que aconteceu ?
BAYARDE: Foi por erro de audição do entrevistador. Em 1974, estudava na UNB e procurava emprego. Fui levado à Varig para uma entrevista de emprego por um amigo ( Martins, hoje da Azul, que depois veio a fazer parte também da promoção de Vendas ). O local era a Loja número 1 , na Galeria do Hotel Nacional. Um ambiente apertado e de intenso entra-e-sai de clientes e funcionários. Feitos os preâmbulos, fizeram-me uma crucial pergunta: – Fala inglês? Na confusão perguntei, porquê? Entendeu-se, soube depois, que respondi “ Sim”. Fui contratado. Depois, corri atrás do Inglês. Estudei no Brasas e me virei “on the job”.

Bayarde (Varig), Toscano (Toscano Turismo), Antoine (Air France), Germano (Vasp) e Ildo (varig)Foto: Bayarde com Toscano (Toscano Turismo), Antoine (Air France), Germano (Vasp) e Ildo (Varig)

VOENEWS: Na sua longa trajetória, poderia mencionar algumas pessoas especiais com quem trabalhou?
BAYARDE: Há muitos, mas vale lembrar do Antônio Viana da Silva, o Cafuringa. Era o estafeta que não sabia dizer “não” nem para clientes nem a funcionários. Atendia a todos.
Outra, uma funcionária padrão, Dona Marília Rosa de Aguiar, secretaria da Gerência de Vendas de então, no Hotel Nacional. Ela testemunhou minha entrevista em 1974 naquela galeria onde tudo acontecia. Ambos funcionários dedicados e generosos.

VOENEWS: Trabalhou em alguma empresa além da Varig ?
BAYARDE: Colégio Monsenhor Sarrion de Presidente Prudente-SP, em 1971/1972. Fui professor secundário.

VOENEWS: Na VARIG quais foram os cargos e funções que desempenhou ?
BAYARDE: Comecei como Promotor de Vendas, depois Instrutor de cursos, Chefe de Loja, supervisor , assistente de gerente, Gerente de Vendas e Gerente Geral.

VOENEWS: Em quais estados teve a oportunidade de trabalhar pela VARIG ?
BAYARDE: Além do Distrito Federal, somente Paraná e Rio de Janeiro.

Bayarde  profissionais Foto: Bayarde com tradicionais profissionais do turismo de Brasília

VOENEWS: Todos nós brasileiros sempre tivemos orgulho da VARIG, que era reconhecida como uma “Embaixada Brasileira” no exterior. Como poderia traduzir o orgulho de ter trabalhado na empresa?
BAYARDE: Fizemos parte de uma empresa, que, sabemos, serviu de modelo para muitas congêneres até o seu último voo. Ainda somos variguianos, por assim dizer. Em viagens ao exterior, eu mesmo pude provar essa fama em Nova Iorque e Paris.

VOENEWS: A Varig foi uma empresa que sempre valorizou seus funcionários e dava oportunidade de viajarem em condições especiais numa época em que passagens tinham preços mais elevados. Durante o tempo que atuou na empresa teve a oportunidade de conhecer muitos países? Poderia mencioná-los?
BAYARDE: Não viajei muito, mas fora do “Circuito Elizabeth Arden”, vale conheci Tailândia, Malásia, Vietnam, Japão, África do Sul, etc. A Varig também promovia cursos no exterior, assim viajei também para Espanha, USA, Argentina, etc.

Bayarde entre Ricardo e CidFoto: Bayarde entre Ricardo e Cid

VOENEWS: A Varig encerrou suas atividades vendendo bilhões. O STF reconheceu que a defasagem tarifária (que congelou as tarifas aéreas), contribuiu para que a empresa deixasse de operar. Como vê este fato, uma das maiores empresas da história do nosso país, ter tido um final tão dramático e melancólico?
BAYARDE: Numa sociedade capitalista por excelência, dotado de um sistema jurídico e político dinâmico (portanto, atento e ágil no tratamento de questões relevantes para o país), a Varig, essa reconhecida empresa privada, que, por força de lei , era concessionaria de serviços público, teria sido reestruturada e redirecionada a tempo de continuar operando – ainda que implicasse ter de aceitar novas regras de gestão, o que também era condicionalmente necessário. Ao fim e ao cabo, foi, na essência da história, uma comprovada (inanição) omissão política. A realidade mostra que Varig foi “obrigada a congelar suas tarifas”, por tratar-se de empresa atrelada a fatores dispépticos do (sem trocadilhos) órgãos de governo, na condição de concessionária.

Gilson Azolino, Bozzó, Bayarde e Merceder UrquizaFoto: Bayrde Presidente do Skal Club de Brasília com Bozzó da Alitália

Fossemos uma fábrica de linguiça, não atrelada ao governo (ao poder concedente). ou fecharíamos fabrica ou enfrentaríamos o mercado sob nosso risco. Na hipótese de risco, considerando ser o preço função de mercado (oferta- demanda), se o mercado demandasse linguiças, aplicaríamos preço que cobrisse o reajuste dos insumos – necessários para produzir essas mesmas linguiças.
Fato pisado e repisado: a Varig foi impedida de atualizar sus tarifas ainda que houvesse aumento de insumos e outras variáveis (dólar, combustível, taxas, juros etc.) E para sobreviver, iniciou a venda de seus ativos e assim, honrar, até onde pode, seus compromissos. Essa é uma explicação.
Um resultado inverso ocorreu perto de nós. A empresa Aerolíneas Argentinas esteve perto de fechar em 2008, depois de ser vendida a espanhóis, privatizada etc. O Governo argentino interveio e em 24 horas estatizou a empresa sem maiores delongas e permitiu que continuasse servindo a orgulhosa sociedade argentina. Está aí até hoje!

Bayarde recebendo a medalha colaborador dos Esporte Aquáticos (CBDA) com o Presidente CoaracyFoto: Bayarde recebendo medalha “Colaborador dos Esportes Aquáticos (CDBA) do presidente Coaracy

Com as variáveis conhecidas à mão, os governos (FHC e LULA) tiveram tempo suficiente para analisar e escolher formas de reestruturar a Varig. Mas preferiram não interferir, acreditando na teoria neoliberal de que o governo (poder concedente) não poderia ajudar uma empresa privada – que tinha apenas o espaço aéreo para explorar. Ganhamos a causa tarifária, mas assistimos ao desaparecimento da maior empresa aérea do Brasil.

VOENEWS: No seu tempo de atuação em Brasília teve subordinado a você uma equipe de profissionais bastante qualificada e reconhecida por todos os agentes de viagens e demais profissionais de Brasília, posso até mencionar alguns como Sr. Arruda, Washington, Cid, Itaci, Almir, Jussara, entre muitos outros. Como era conviver com tantas “estrelas’ e liderar essa equipe?
BAYADE: Todos eles tiveram importantes e diferentes papéis na equipe de vendas da Varig nas décadas de 80 e 90. Cada qual contribuía para o sucesso de todos nós. Entendíamos à época, e aplicávamos, que pessoas com posição e funções diferentes, conseguem desenvolver melhor suas capacidades sustentando um trabalho de equipe, se estiverem vivendo um ambiente de gerenciamento aberto (com índice de autoritarismo zero). A boa formação (bom senso, iniciativa e atitudes) era um prerequisito de berço. O resto fluía. E nesse clima, formamos uma equipe com grande capacidade de trabalho.

VOENEWS: Daquela grande equipe tivemos o falecimento de pessoas que fizeram história como o Neto e o Radovir, poderia falar a respeito desses grandes profissionais que atuaram na sua gestão ?
BAYARDE: O Neto era originário de Presidente Prudente, região onde estudei. Eu o coloquei na Varig por conhecer sua família e sua formação. Conhecia também seu Irmão, Antenor Gentil, meu contemporâneo de Faculdade em São Paulo. Gente com valores morais em quem se podia confiar.

O Radovir também foi meu aluno (muitos foram, pois durante 2 longos anos fui instrutor da grande parte dos funcionários que entravam na Empresa). Radovir e Neto faziam parte de uma grande equipe que tivemos no Conjunto Baracat, e eram capazes de resolver quase tudo graças às habilidades e conhecimento dos atalhos da empresa. Eu mesmo delegava a eles muitas tarefas gerenciais certo do confiável resultado positivo.

Bayarde e Jussara no Conj. BaracatFoto: Bayarde com sua secretária Jussara na Gerência de Vendas

VOENEWS: Onde reside hoje e qual é sua rotina diária? Sei que já fez parte de um grupo que fazia o Cover do Beatles. Ainda pratica música ou ficou no passado?
BAYARDE: Depois do Rio de Janeiro voltei a morar em Brasília, na Asa Sul. Moro na “ Quinta Avenida” ( centro da Asa Sul ). O Lago Sul é a Suécia , nas palavras do Nosso poeta Ayres Brito.

Aqui, antes da minha saída ao Paraná, em 1996, participei de uma Banda Cover de Beatles, chamado “Friends”. Fizemos centenas de apresentações em vários Clubes e Pubs na cidade e fora, inclusive exterior. Hoje coleciono violões acústicos e tento continuar aprendendo, humilde e modestamente, o a tocar no estilo do mestre João Gilberto.

VOENEWS: As Redes sociais nos permite interagir mesmo a distância. Ainda mantém contato com o amigos, colegas e ex-funcionários da Varig ?
BAYARDE: Na verdade, tenho contatos com muitos deles e outros tantos fora do metier.

Bayarde no escritório Conj. BaracatFoto: Bayarde

VOENEWS: A Varig teve grande importância para os profissionais do turismo de Brasília que hoje são grandes empresários como Carlos Alberto da Voetur, Fernando Miranda da AGM Turismo, Davi Moura da Interline, entre outros que de pequenos agentes se tornaram grandes empresários. Hoje no turismo essas possibilidades são menores. Tem alguma análise do que mudou dos anos 90 para os atuais?
BAYARDE: A ascensão social, originada no sucesso comercial (aumento da riqueza, por exemplo) e fundamentada no trabalho, tem sua ocorrência garantida nas sociedades democráticas. No segmento agências de viagens e turismo, hoje, isso talvez ocorra em menores proporções. Mas a mobilidade social está aberta a todos na sociedade brasileira. Em Brasília tivemos vários casos, dos quais eu fui contemporâneo, de primeira hora.

Bayarde com Carlo Alberto de Sá, Adir Faustino, Joseline, Ute, Hugo e MoacyrFoto: Bayade com Carlos Alberto de Sá, Adir Faustino, Joseline, Ute, Hugo e Moacyr

Há, porém, registros que comprovam ter tido a Varig uma importante participação no sucesso financeiro de um grande número de empresários do turismo, a partir dos anos 80, não somente no DF, mas em todo Brasil. Isso porque, na época, a empresa era a maior na oferta de voos acarretando maior faturamento em função do maior volume de vendas.

A razão da participação da Varig no sucesso desses empresários tinha como base a grande malha aérea doméstica, além da preferência nas viagens internacionais. Em função disso, promovia-se ao agente concentrador, uma remuneração extra, em função do volume alcançado.

A chance, hoje, de um microempresário nesse ramo alcançar “status” de grande empresário operando somente uma atividade, como emissões de passagens, por exemplo, ainda existe, mas a probabilidade é baixa – vai depender de fortes fatores exógenos!

Bayarde em reunião do Skal BrasíliaFoto: Bayarde em reunião do Skal Club

Evidentemente que o mérito desses empresários bem-sucedidos deveu–se ao fato de estarem no lugar certo na hora certa e saberem enxergar (e aproveitar), as oportunidades que o sistema oferecia.

VOENEWS: Falando em perdas, em novembro completará 2 anos do falecimento de Davi Fernandes de Moura, um dos grandes e mais queridos profissionais do turismo de Brasília. Como recebeu a notícia e como era seu relacionamento com o “Jacaré” que é o apelido do mesmo e como ele também gostava de chamar as pessoas ?
BAYARDE: Trabalhamos juntos na Varig em 1974, na famosa Loja número 1, da Galeria do Hotel Nacional. Nossa amizade era anterior às nossas funções no Turismo. Com ele, o tratamento era mesmo de amigo. Trabalhava na sua agência como se fosse funcionário Varig. A Interline era uma extensão da Varig. Perdi um colega de trabalho e um amigo.

bayarde e davi mouraFoto: Bayarde com Davi moura e outros amigos em almoço de confraternização

VOENEWS: Gostaria de sua análise das mudanças recentes do turismo, onde é comun Cias Aéreas, operadoras e hotéis comercializarem seus produtos diretamente com os clientes, grandes sites de vendas on-line, o senhor que como Gerente da Varig foi muito próximo dos agentes de viagens como enxerga o futuro dessa categoria?
BAYARDE: Somos uma sociedade política em constante mudança . Assim, há sempre ocasiões em que ocorrem as invenções e as “ reinvenções”. Nada é definitivo.

Na década de 60, a Varig tinha lojas em vários Ministérios. Emitia nos seus próprios bilhetes passagens para todas as Cias Aéreas, assumindo o “off-line”, pois preponderava nas malhas domesticas e na internacional, como empresa de bandeira.

Nos anos seguintes, as agências de turismo se organizaram e diante de um mercado modificador, ocuparam esses espaços. Hoje, há uma volta ao modelo de concentração de emissões, eliminando um procedimento. É cíclico. Claro que a tecnologia garante uma boa base para tomada de decisão que podem mudar rumos, ora para um lado, ora para outro. Mas tudo isso está sob a tutela de um governo, portanto, é resultado de uma opção política. Um novo governo pode mudar esse conceito.

Quanto à venda via WEB não há o que dizer. A tecnologia caminha a passos largos e rápidos. Em breve (pesquisem o que vai oferecer a nova empresa Alphabet, dona do Google) teremos . por exemplo, “drones wings” para entregas a domicílio logo após um “clic” na internet. Futuro chegou para valer. Não há como lutar com mecanismos do passado.
Quem enxergar e aproveitar oportunidades nesse novo momento de transformação (sistema atual), mesmo sendo pequeno agente, poderá tornar-se um grande empresário num futuro próximo.

VOENEWS: O senhor foi músico e atuou muito tempo no turismo, e seus filhos que carreira resolveram seguir? Tem algum atuando no turismo ?
BAYARDE: Meus 3 filhos nasceram em avião. Viajaram muito, mas nunca mencionaram desejo nesse setor. Temos na família, advogado, publicitário e um músico, todos felizes com seus trabalhos.

1Foto: Bayarde com Shore Lee na Boite GROG’S

VOENEWS: Tem alguma história engraçada que aconteceu no turismo que gostaria de contar?
BAYARDE: Não chega ser engraçada, mas reforça o folclore.

Na Varig, o funcionário (e seus dependentes) quando viajava, recebia um bilhete chamado de GC ( Gêcê). Era o redundante ” Grátis Cortesia”, mas que era mesmo sigla de Grátis Condicional. A regra era simples: embarcava, desde que houvesse lugar. E se, por acaso, numa escala, lotasse o voo, o GC deveria identificar- se para ser gentilmente convidado a se retirar, dando lugar ao passageiro pago. Quem aplicava essa regra era o despachante ou gerente de aeroporto.

Certa vez, no aeroporto de Petrolina, voltando de Salvador, minha mulher viveu seu dia de “ GeCê”. Mas ocorreu um caso diferente. O Voo não estava com “overbooking”. Era preciso, entretanto, desembarcar passageiros para diminuir peso devido à alta temperatura geral e da pista. (Quanto mais quente a temperatura da pista, menor o peso com que o avião pode decolar, principalmente numa pista curta).

O despachante então anuncia com autoridade: – Tem algum GC a Bordo? Minha mulher, sentada logo próxima à entrada do avião, se apresenta. O experiente despachante a mede com olhos, passa por ela e dispara… “obrigado senhora, mas pode ficar, não vai adiantar muito”, e minutos depois sacou três grandalhões que estavam lá no fundo.
Minha mulher permaneceu a bordo frustrada por não ajudar a Varig esse perguntando porque o despachante não a retirou se ela era GC.

Por sorte, ela não ficou sabendo a verdadeira razão. Segundo se apurou, os grandalhões eram passageiros pagos (full fare) que, após tomarem conhecimento da explicação (temperatura na pista) pelo didático despachante, fizeram questão de descer correndo e esperar pelo próximo voo.

Minha mulher, que quis ajudar na crítica operação com seus 44 quilos, continuou seu voo, naquela ocasião, sem medo algum, mas sem entender porque aqueles homens fortes resolveram desembarcar e porque o despachante não aplicou a ela a regra.

VOENEWS: Gostaria que finalizássemos esta entrevista com um comentário livre que deseje fazer, fique a vontade:
BAYARDE: Agradecer aos amigos de sempre, aos novos amigos que chegaram depois, deixando abraços e agradecimentos a todos aos que trabalharam comigo e /ou que ainda militam no trade com um recado: tudo pode ser mesmo resumido em “In, Out, Process e Feedback”( da velha Teoria de Sistemas), independentemente do estágio tecnológico em que nos encontramos. O difícil mesmo é encontrar onde e como aplica-la.

Esse modelo (de gestão) aplica-se em qualquer momento de qualquer atividade em qualquer lugar, seja do tamanho que for. É um útil modo de pensar.

Bayarde Presidente do Skal BrasiliaFoto: Bayarde Presidente do Skal Clube Brasília