04 de abril de 2025
A Aena, maior operadora aeroportuária do Brasil e do mundo, inaugurou nesta sexta-feira (4) a Sala Multissensorial do Aeroporto Internacional do Recife. Quem chega ao espaço percebe de imediato que está entrando em um ambiente acolhedor: luzes menos intensas, projeções nas paredes, sons de água corrente, piscina de bolinhas iluminadas, almofadas revestidas com tecidos especiais. Todos esses detalhes são pensados para atender às necessidades de pessoas neurodivergentes e de seus acompanhantes durante as viagens. A solenidade de abertura contou com a presença do diretor-geral da Aena Brasil, Joaquín Rodríguez, e do diretor do Aeroporto do Recife, Diego Moretti, além de autoridades como o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho; o prefeito do Recife, João Campos; e o secretário nacional de Aviação Civil, Tomé Franca. Alguns deputados também estiveram presentes.
“Estamos sempre empenhados em oferecer os melhores serviços para todos os passageiros, mas esse novo espaço é mais especial. Abrimos as portas de um ambiente inclusivo, capaz de proporcionar uma viagem tranquila a passageiros que, de outro modo, teriam muita dificuldade em usar o transporte aéreo”, ressaltou Joaquín Rodríguez. O local tem 35 metros quadrados e comporta até quatro famílias simultaneamente.
A iniciativa faz parte do Programa de Acolhimento ao Passageiro com Transtorno do Espectro Autista (TEA), do Ministério de Portos e Aeroportos. O ministro Silvio Costa Filho esteve presente na solenidade de abertura.
“A sala multissensorial é um espaço acolhedor, que vai proporcionar bem-estar e conforto aos passageiros com transtorno do espectro autista. Além de oferecer uma melhor experiência e a inclusão desse público no modal aéreo, nós estamos promovendo o debate e a conscientização do tema com a sociedade. Com o apoio das concessionárias e das companhias aéreas, estamos priorizando a criação de novas salas multissensoriais e trabalhando na capacitação de profissionais. Até o final do próximo ano, teremos a inauguração de 20 novas salas pelo país”, destacou o ministro Silvio Costa Filho.
Na rede administrada pela Aena, além do terminal do Recife, o Aeroporto de Congonhas também conta com uma sala voltada para pessoas neurodivergentes. Ambas foram planejadas em parceria com a Neurobrinq, empresa especializada na fabricação de salas multissensoriais. Ambientes similares estão em fase de implantação nos aeroportos de Maceió, João Pessoa, Aracaju, Campo Grande e Uberlândia. Outros terminais, como Santarém, Juazeiro do Norte, Montes Claros e Uberaba, dispõem de espaços reservados para passageiros com TEA e outras neurodivergências – que também serão instaladas em Marabá e Corumbá. O prazo para a finalização dos novos projetos é no próximo mês.
“A implantação das salas multissensoriais mostra que estamos atentos às demandas da sociedade. É uma iniciativa estimulada pela Secretaria Nacional de Aviação Civil, em parceria com as concessionárias que administram os maiores aeroportos do Brasil, para que os passageiros neurodivergentes tenham a oportunidade de viajar de forma confortável e adequada. É um passo importante na humanização do atendimento ao público e que serve de estímulo para que ações semelhantes sejam colocadas em prática em outros ambientes”, pontuou o secretário Nacional de Aviação Civil, Tomé Franca.
ESPAÇO INCLUSIVO
Pessoas neurodivergentes costumam apresentar algum tipo de hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Para elas, situações que parecem rotineiras à maioria dos passageiros são fontes de estresse intenso e podem desencadear crises. Entre esses fatores, estão avisos sonoros, movimentação intensa de pessoas nas salas de embarque, barulho de malas de rodinhas, telas informativas e luzes de maior intensidade.
A sala oferece ao passageiro um ambiente de descompressão, isolado dos elementos que podem provocar desequilíbrio emocional. “É um espaço que ajuda a regular o estresse, trazendo alívio em relação aos estímulos externos e promovendo bem-estar”, aponta Greg Marques Pereira, CEO da Neurobrinq.
Cada item do espaço, explica Greg, exerce um papel importante para regular o estresse sensorial do passageiro. Os sons de água corrente, colunas de bolhas, têm efeito relaxante; a iluminação adequada promove tranquilidade; a piscina de bolinhas iluminada oferece uma distração e leva a criança retirar o foco de uma possível angústia relacionada à viagem.
A sala ainda dispõe de um guia sobre como funciona o processo de embarque e três poltronas similares às de uma aeronave. “Autistas necessitam de previsibilidade. Não saber o que vai ocorrer ou o que terão que fazer é para eles motivo de muito estresse. O guia explica passo a passo as etapas do embarque. As três poltronas servem para que os acompanhantes mostrem onde ele vai sentar-se dentro do avião. Tudo isso contribui para uma viagem com menos intercorrências”, destaca Greg.
Durante a solenidade de abertura, também foi lançada a cartilha “Inclusão Dentro e Fora do Avião”, escrita por Aline Campos. A autora destacou que o livro tem um papel relevante na conscientização das pessoas em relação às dificuldades enfrentadas por passageiros neurodivergentes. “Multiplicar a informação é uma importante forma de contribuir para inclusão”, declarou. Em sua fala, o prefeito do Recife, João Campos, observou o valor de espaços inclusivos, ressaltando que esse esforço deve ser coletivo: “Cada um deve fazer a sua parte”, salientou o prefeito. Atuante desta causa, a deputada federal Iza Arruda se disse muito satisfeita com a inauguração da Sala Multissensorial: “Felicidade é haver espaços de acolhimento”.
A Sala Multissensorial do Aeroporto Internacional do Recife funciona 24 horas, no Embarque Norte, em frente ao portão B12.