Negócios tradicionalmente associados ao cotidiano do Rio de Janeiro começam a ultrapassar seus limites geográficos e buscar espaço em outros centros urbanos do país. Bares e quiosques que nasceram vinculados ao estilo de vida carioca passam a operar em mercados nas principais capitais, em um movimento que indica amadurecimento do setor e mais ambição de escala.
A expansão ocorre em um momento em que o consumidor valoriza, cada vez mais, experiências com identidade definida. Nesse cenário, marcas com forte apelo cultural ganham relevância. No entanto, transformar esse diferencial em um modelo replicável fora do ambiente de origem exige mais do que reconhecimento de marca, demandando estrutura, consistência e capacidade de adaptação.
Para Marcelo Politi, fundador da Politi Academy, o principal desafio está na transição de um negócio local para uma operação escalável. “O erro mais comum é acreditar que o sucesso em uma unidade garante o desempenho em outra. Sem processos estruturados e gestão profissional, a expansão tende a fragilizar o negócio”, afirma.
Segundo o especialista, crescimento sustentável no food service depende de previsibilidade operacional. “Quando a empresa consegue padronizar processos, treinar equipes e acompanhar indicadores de desempenho, ela reduz riscos e aumenta a capacidade de replicação. É isso que transforma um bom restaurante em uma marca com potencial de expansão”, diz.
Outro ponto crítico é a leitura de mercado. “Cada cidade tem hábitos de consumo, ticket médio e expectativas diferentes. Expandir exige inteligência estratégica para adaptar a operação sem descaracterizar a proposta original”, explica Politi.
Esse desafio é vivido na prática por empresários que levaram o conceito carioca para fora do Rio. É o caso do Braca, bar em São Paulo, com unidades nos bairros do Itaim Bibi e Santana, inspirado no estilo de boteco carioca, sob o comando dos empresários Kadu Tomé e Augusto Vianna.
Para Kadu, também proprietário do Bracarense, um dos bares mais tradicionais do Leblon, no Rio de Janeiro, o principal desafio não esteve na estruturação da operação em si, mas na adaptação cultural. “A parte operacional é padrão, é algo que já dominávamos. O maior desafio foi entender as diferenças de comportamento e adaptar a proposta sem perder a essência carioca”, afirma.
A adaptação, no entanto, exigiu ajustes importantes. “No Rio, o cliente passa na porta, encontra um amigo e fica. Em São Paulo, o consumo é mais planejado, ou seja, as pessoas fazem reserva, combinam antes. Além disso, o nível de exigência em conforto é maior. Se o ambiente não estiver adequado, o cliente não permanece”, explica.
Para equilibrar essas diferenças, o bar buscou manter a informalidade característica do Rio, mas com reforço na estrutura e no atendimento. “A gente preserva o espírito descontraído, mas investe em conforto e em um atendimento muito bem treinado, cordial e próximo, como se fosse no Rio”, diz.
Além da adaptação ao público, a expansão também evidenciou a necessidade de profissionalização da gestão, especialmente em operações fora do ambiente original. “Quando você escala, não dá mais para depender de conhecimento informal. Em operações em crescimento, sem processos bem definidos, a operação simplesmente não funciona”, afirma.
Foi nesse contexto que surgiu a aproximação com a Politi Academy. “Buscamos a mentoria para estruturar processos, padronizar a operação e entender melhor o mercado. Sem sistema e sem organização, fica praticamente impossível crescer com consistência”, explica.
Kadu também destaca o impacto do networking promovido pela iniciativa, especialmente por meio do Food Club – grupo exclusivo da Politi Academy que reúne empresários do setor de alimentação para troca de estratégias e discussão de crescimento. “A troca com outros empresários é um dos pontos mais valiosos. São pessoas com os mesmos desafios, que já testaram caminhos, erraram e acertaram. Isso encurta muito o aprendizado e influencia diretamente nas decisões do dia a dia”, afirma.
Além da estratégia, há desafios práticos relevantes, como logística de abastecimento, formação de mão de obra e manutenção da qualidade em diferentes unidades. Em praças mais competitivas, como São Paulo, a consistência da entrega se torna decisiva para a sustentabilidade do negócio no médio prazo.
Esse movimento já pode ser observado em outras casas que adotaram o chamado “DNA carioca” fora do Rio. Em São Paulo, bares como o Pirajá, que se posiciona como uma “embaixada carioca” com foco em chope e petiscos clássicos, e o São Conrado, que combina estética descontraída e cardápio de boteco com releituras contemporâneas, exemplificam a adaptação do conceito ao público paulistano. Já o B Carioca aposta na ambientação informal, mesas externas e cardápio típico de botequim para reproduzir a experiência social característica do Rio.
O fenômeno também pode ser observado em outras capitais, ainda que de forma mais orgânica. Em Belo Horizonte, por exemplo, o Redentor Bar, na Savassi, é frequentemente citado como a “esquina mais carioca de BH”, ao reproduzir a atmosfera descontraída com mesas na calçada, samba e forte apelo à convivência, considerados elementos centrais do estilo de vida dos bares do Rio de Janeiro. Em Porto Alegre, bares como o Boteco do Joaquim refletem a incorporação desse estilo, especialmente na valorização da convivência e do consumo compartilhado.
Já em cidades como Curitiba, além de capitais do Nordeste, como Recife, Salvador e Fortaleza, o movimento aparece de forma mais difusa, em estabelecimentos que apostam em ambientação informal, mesas externas e experiências menos formais, indicando a força desse modelo como referência para diferentes mercados.
O movimento de expansão desses estabelecimentos reflete uma mudança mais ampla no setor de alimentação fora do lar, que passa por um processo de profissionalização. Negócios antes marcados pela informalidade avançam para modelos estruturados, nos quais gestão, eficiência e experiência do cliente se tornam pilares para o crescimento. Nesse contexto, a identidade cultural deixa de ser apenas um diferencial simbólico e passa a atuar como ativo estratégico na construção de marcas com alcance nacional.
Sobre Marcelo Politi – formado em hotelaria e gastronomia pela Ecole des Roches (Association Suisse d’Hôtellerie), na Suiça e pós-graduado em Gestão de Negócios pelo IBMEC. Aos 29 anos, foi o primeiro executivo contratado como diretor de Marketing pela rede de hotéis francesa Sofitel no Brasil. Foi responsável pela implantação e gestão das operações do Hard Rock Café no Brasil e gerenciou mais de 500 funcionários. O empresário é fundador do Grupo Food Nation.
Sobre o Grupo Food Nation – um ecossistema de gestão voltado para donos e gestores de negócios de alimentação que buscam mais lucro, organização e liberdade. A iniciativa nasceu da trajetória de Marcelo Politi, marcada por desafios, aprendizados e reinvenção ao longo de sua carreira. Atualmente, o grupo reúne empresas complementares que atuam no desenvolvimento e na gestão de negócios de food service.
Politi Academy (https://politiacademy.com.br/
Koncluí: (https://Konclui.com) – plataforma de gestão operacional que padroniza, automatiza e simplifica rotinas em restaurantes, bares e cafeterias, por meio de checklists inteligentes que orientam a equipe e permitem o acompanhamento em tempo real.





