Iniciativa fortalece e gera oportunidades para juventude Avá-Guarani por meio da cultura e da biodiversidade
Foz do Iguaçu, 27 de maio de 2026 – Na região oeste do Paraná, a comunidade indígena Tekohá Ocoy, do povo Avá-Guarani, transforma arte em resistência, pertencimento e futuro. É nesse território com raízes ancestrais que nasce o projeto Tembiapo Mandu’a Porã Ndive, que na língua significa “criar a partir de boas memórias” uma iniciativa idealizada pelo Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel, e pelo Cidades Invisíveis, em parceria com o Projeto Onças do Iguaçu.
Estruturado em três pilares — arte como transformação, cultura como legado vivo e conservação conectada ao território —, o projeto promove intercâmbio artístico, fortalecimento cultural e geração de oportunidades para estudantes do Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo, que atende cerca de 400 alunos diariamente.
O território indígena, localizado no município de São Miguel do Iguaçu, próximo ao Parque Nacional do Iguaçu, reúne cerca de 900 pessoas e consolidou-se ao longo dos anos como um espaço de vivência, preservação cultural e autonomia do povo Guarani na região.
“Os jovens gostam de desenhar, fazer arte, participar de projetos e mostrar a cultura, mas o que falta é oportunidade. Esses projetos ajudam eles a perceberem que têm espaço e algo a oferecer”, relata o professor indígena Gilmar Chamorro.
Ao longo de 2026, o projeto realizará seis módulos de oficinas artísticas dentro da escola indígena, com atividades de fotografia, desenho, muralismo, grafite, cerâmica e pintura em tela. Entre os artistas convidados estão Samuel dos Santos (Samuka), Prado Neto, Beto Gatti, Sabrina Cuiligotti, Igor Izy e Cleise Vidal. O objetivo é ampliar os repertórios criativos dos jovens sem desconectá-los de sua identidade cultural.
A iniciativa também conta com a participação de referências contemporâneas como o professor e mestrando em Educação Gilmar Chamorro (do povo Avá-Guarani), a jornalista Luciene Kaxinawá (do povo Huni Kuin), primeira indígena a atuar na TV brasileira, e o modelo internacional Noah Alef (do povo Pataxó). Além de toda a programação ter sido debatida e construída em conjunto com a comunidade.
As obras produzidas pelos estudantes serão apresentadas em uma exposição oficial no Hotel das Cataratas. Toda a renda arrecadada será destinada integralmente ao Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo para melhorias estruturais, criação de um estúdio permanente de arte e viabilização de excursões educacionais e culturais.
A possibilidade de que pessoas de outros países adquiram as obras é vista pela comunidade como algo significativo: cada tela carregará parte da memória e da identidade Avá-Guarani para diferentes partes do mundo. “A arte vai longe e conta um pouco da nossa história. É uma forma de nos representar”, afirma Gilmar Chamorro. Assim, cada obra deixa de ser apenas uma expressão artística e se transforma em ponte entre culturas, ampliando vozes historicamente silenciadas e levando a ancestralidade Avá-Guarani para diferentes partes do mundo.
Para os indígenas da comunidade Tekohá Ocoy, a iniciativa representa muito mais do que o incentivo à produção artística e cultural. O projeto se consolida como uma ferramenta de fortalecimento identitário, valorização dos saberes tradicionais e promoção da autonomia da juventude Avá-Guarani.
O cacique e professor Luís Baracá destaca que uma das missões centrais da iniciativa é romper estereótipos ainda presentes na sociedade: “Como povo indígena, queremos quebrar esse gelo da visão do não-indígena. Quem quiser conhecer a cultura indígena precisa chegar nas comunidades, conversar, conhecer a realidade, a dança, o canto e a reza.”
Ao estimular espaços de criação, memória e pertencimento, o projeto reafirma a importância da cultura Avá-Guarani como elemento central de preservação e continuidade ancestral. Além disso, amplia o diálogo entre a comunidade e a sociedade não indígena, promovendo reconhecimento, respeito à diversidade cultural e maior compreensão sobre a realidade vivida pelos povos originários do oeste do Paraná.
Para o professor Gilmar, ocupar espaços é também uma forma de resistência. “Muitas pessoas ainda se surpreendem quando descobrem que somos professores, pesquisadores ou artistas. Ocupar esses espaços é uma forma de quebrar esse olhar preconceituoso.” Os jovens vêm retomando grafismos tradicionais, pinturas corporais e referências ancestrais antes reprimidas e a arte aparece como linguagem de memória e continuidade cultural.
A parceria entre Hotel das Cataratas, Cidades Invisíveis e Projeto Onças do Iguaçu também reforça a conexão entre conservação ambiental e fortalecimento comunitário. Localizada próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, a Tekohá Ocoy representa um território onde biodiversidade, memória e identidade permanecem profundamente interligadas. E o objetivo não é trazer soluções únicas, mas unir forças com a comunidade e auxiliar no impulsionamento dela.
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Um convite para uma Experiência com Propósito
Projetos que caminham ao lado de povos indígenas e comunidades locais têm a capacidade de gerar transformação com respeito, escuta e pertencimento. Mais do que incentivar a produção artística ou promover experiências culturais, iniciativas como essa ajudam a fortalecer identidades, preservar memórias e garantir que tradições continuem vivas para as próximas gerações. Quando as empresas decidem se unir a esse propósito, elas ampliam o impacto que podem gerar no mundo.
O apoio à cultura local deixa de ser apenas uma ação institucional e passa a se tornar um compromisso real com diversidade, sustentabilidade e justiça social. Quando turismo, cultura e responsabilidade social caminham juntos, criam-se experiências transformadoras não apenas para quem recebe apoio, mas também para quem escolhe participar desse movimento.
É esse convite que o projeto Tembiapo Mandu’a Porã Ndive propõe: agora, esse impacto também poderá ser compartilhado com outras pessoas por meio de uma experiência imersiva criada em Foz do Iguaçu através do Hotel das Cataratas. Entre os dias 17 e 20 de setembro de 2026, convidados terão a oportunidade de viver dias únicos dentro do único hotel localizado no Parque Nacional do Iguaçu, participar de vivências exclusivas, conhecer a comunidade Tekohá Ocoy e se aproximar da cultura Avá-Guarani de maneira respeitosa e transformadora.
A experiência será concluída com um leilão beneficente realizado nos jardins do hotel, com 100% da arrecadação revertida para o Colégio estadual Teko Ñemoingo. Parte do valor das hospedagens também será destinada às ações do Cidades Invisíveis, fortalecendo projetos sociais, culturais e educacionais desenvolvidos em diferentes territórios do país.
Mais do que participar de uma viagem exclusiva, os convidados serão parte ativa de uma rede de transformação social que acredita que experiências extraordinárias também podem gerar impacto real e duradouro.
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Sobre o Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel
O Hotel das Cataratas recebeu recente premiação como melhor hotel de luxo do Brasil e acredita que hospitalidade de excelência também significa gerar impacto positivo no território, nas pessoas e no futuro. Como o único hotel localizado dentro do Parque Nacional do Iguaçu, oferece uma conexão autêntica e privilegiada com a natureza, proporcionando uma experiência que vai além do luxo tradicional ao integrar cultura, sustentabilidade e vínculo genuíno com o território onde está inserido.
O hotel atua ainda como um catalisador de impacto, ampliando a visibilidade e a escala de iniciativas socioambientais, conectando-as a uma audiência global e dando voz a histórias com propósito. Esse compromisso é respaldado por certificações reconhecidas internacionalmente, como EarthCheck e ISO 14001, que refletem uma gestão ambiental consistente e de longo prazo.
A valorização da cultura indígena está presente de maneira integrada em diferentes momentos da experiência do hóspede. O artesanato local, experiências como o ritual guarani e tratamentos do spa inspirados na cosmovisão Avá-Guarani reforçam essa conexão com o território e suas raízes culturais. Essa presença também é percebida na gastronomia e nos espaços do hotel, como o Bar Tarobá e o Restaurante Ipê, cujos nomes têm origem na língua guarani, além do restaurante Y, que incorpora essa inspiração tanto em seu conceito quanto em criações do chef, como o prato ovo, mandioca e tucupi, uma homenagem à riqueza dos ingredientes e saberes indígenas.
Sobre o Cidades Invisíveis
Cidades Invisíveis é uma organização social que desenvolve projetos de impacto social em diferentes regiões do Brasil, promovendo iniciativas voltadas à inclusão, educação, cultura, sustentabilidade e fortalecimento comunitário. Atua há mais de 14 anos promovendo impacto social por meio da educação, cultura, arte, esporte e capacitação. Presente em cinco estados brasileiros, a organização já impactou diretamente mais de 140 mil pessoas.
Seu trabalho é voltado à promoção da inclusão social e à redução das desigualdades, utilizando processos criativos e culturais como ferramentas de transformação e fortalecimento comunitário.
A organização é responsável pela metodologia do projeto, desenvolvida de forma autoral para garantir profundidade e efetividade nas iniciativas realizadas. Também conduz os workshops e a curadoria artística, assegurando consistência, propósito e relevância em cada etapa.
Sua atuação gera impacto direto nas comunidades, fortalecendo identidades culturais, ampliando oportunidades para jovens participantes e promovendo desenvolvimento criativo de forma sustentável.
Sobre o Onças do Iguaçu
O Projeto Onças do Iguaçu é uma iniciativa dedicada à conservação da onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu, reconhecendo o animal como símbolo da biodiversidade do parque e peça fundamental para o equilíbrio ecológico da região. Sua missão é promover a conservação da onça-pintada e dos ambientes onde ela vive, cuidando também das pessoas que compartilham esse território. Sua visão é ver onças, parque e pessoas prosperando juntos.
Como maior felino das Américas e predadora de topo da cadeia alimentar, a onça-pintada desempenha um papel essencial na manutenção dos ecossistemas, ajudando a regular populações de outras espécies e contribuindo para a saúde da fauna e da flora. Sua presença é também um importante indicador de qualidade ambiental, já que depende de florestas preservadas, disponibilidade de água e abundância de presas naturais. Proteger a onça significa, portanto, conservar rios, matas e corredores ecológicos fundamentais para a biodiversidade.
Na região das Cataratas, a espécie possui ainda forte valor cultural e simbólico. Para povos indígenas, incluindo o povo Avá-Guarani, a onça representa força, espiritualidade e conexão com a natureza. Sua conservação também dialoga com a valorização dos conhecimentos ancestrais e da relação histórica entre os povos originários e o território.
Com atuação no parque e nas comunidades do entorno, o projeto desenvolve ações de pesquisa, monitoramento, educação ambiental, engajamento comunitário e promoção da coexistência entre pessoas e fauna silvestre. O trabalho busca construir caminhos para uma convivência mais segura, harmoniosa e sustentável entre pessoas, onças e natureza.





