Colheita no período seco e modelo cooperativo elevam qualidade e expansão da vitivinicultura de altitude na região central; app Tchin Tchin conecta produtores a consumidores
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Brasília, 27 de agosto de 2026 – A produção de vinhos no Cerrado de altitude, em elevações de até 1.172 metros, avança na região central do Brasil e vem se consolidando como um dos polos da vitivinicultura nacional. Produtores locais adotam a técnica da dupla poda, manejo que inverte o ciclo natural da videira e permite a colheita de uvas durante o inverno seco, entre junho e agosto. O movimento ocorre em um momento de expansão do setor: as exportações brasileiras de vinhos e espumantes cresceram 23,73% no primeiro semestre de 2026, totalizando US$ 6,79 milhões e alcançando 79 países, segundo o Wines of Brazil.
A dupla poda envolve duas intervenções anuais: a primeira ocorre em setembro, para a formação da planta, e a segunda, em março, direciona a produção para o período de estiagem. A colheita acontece em uma estação marcada por dias ensolarados, noites frias e baixa umidade, condições que favorecem a sanidade das uvas e a concentração de aromas.
A técnica eleva o custo operacional da produção entre 40% e 50%, segundo estimativas apresentadas por produtores da região, devido ao maior número de manejos no campo e à retirada manual dos cachos produzidos no ciclo de verão. Em contrapartida, o período seco reduz a exposição dos vinhedos à umidade durante a maturação e cria condições mais favoráveis ao controle de fungos e pragas. Nos vinhos tintos, o manejo contribui para o desenvolvimento de taninos maduros, compostos associados à estrutura e ao potencial de envelhecimento da bebida.
A combinação entre condições climáticas, manejo adaptado e técnicas de vinificação tem contribuído para elevar a qualidade dos vinhos produzidos no Cerrado e ampliar o espaço dos rótulos nacionais. No mercado interno, o consumo brasileiro bateu recorde em 2025, com 4,4 milhões de hectolitros, alta de 41,9%, enquanto o consumo mundial recuava, segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).
“Os números mostram que existe espaço para o vinho brasileiro crescer tanto no mercado interno quanto no exterior. Temos um mercado forte na América do Sul e uma disposição cada vez maior dos produtores nacionais para competir com rótulos argentinos, chilenos e uruguaios. Esse movimento amplia o reconhecimento dos vinhos brasileiros e cria oportunidades para produtores de diferentes regiões”, afirma Paulo Vasconcellos, diretor de Tecnologia da Mira Artis, desenvolvedora do aplicativo Tchin Tchin.
Altitude e manejo definem o perfil dos vinhos
A altitude é um dos elementos centrais para a produção do Cerrado. Em áreas acima de 1.000 metros, a amplitude térmica contribui para retardar a maturação das uvas, preservar a acidez natural e estimular a formação de compostos fenólicos, relacionados à cor, aos aromas, ao corpo e à longevidade dos vinhos.
“Quando falamos de vinhos de altitude no Cerrado, o clima é um dos grandes diferenciais. A combinação de dias ensolarados, noites mais frias e baixa umidade durante o período de maturação cria condições favoráveis para as uvas. Isso permite alcançar um equilíbrio importante entre maturação, acidez e concentração de aromas e sabores, características que aparecem no resultado final e ajudam a explicar a evolução da qualidade dos vinhos produzidos na região”, afirma Renata Pissolatti, sommelière internacional e fundadora da Pissolatti Vinhos.
As condições do solo, a radiação solar e a ausência de chuvas durante a colheita favorecem o cultivo de variedades de Vitis vinifera, espécie de planta que reúne as principais variedades de uvas utilizadas na produção de vinhos finos. A uva Syrah, uma das variações da Vitis vinifera, responde por 39% da área plantada com viníferas no PAD-DF, polo agrícola do Distrito Federal, enquanto a uva Sauvignon Blanc ocupa 18% dos vinhedos. Cabernet Franc, Malbec e Marselan também integram o conjunto de variedades cultivadas na região.
O manejo de precisão complementa a adaptação do vinhedo ao clima. Telas protegem as plantas contra pássaros, enquanto o uso controlado de ovinos entre as fileiras auxilia no manejo da vegetação e na incorporação de matéria orgânica ao solo. Sistemas de irrigação por gotejamento e plantios em curvas de nível completam as estratégias utilizadas para enfrentar a seca característica do Cerrado.
Estrutura compartilhada amplia a capacidade produtiva
Em Goiás, um grupo formado por dez famílias reúne a elaboração de rótulos de aproximadamente 52 hectares de vinhedos. Cada propriedade destina 60% da colheita à estrutura coletiva, que possui capacidade de processamento de 400 mil litros de vinho por ano.
O modelo permite que produtores de menor escala tenham acesso a estruturas industriais e técnicas compartilhadas. A iniciativa também contribui para a construção de uma identidade regional para os vinhos de inverno e amplia a capacidade de comercialização dos rótulos.
Em escala estadual, a atividade reúne 63 produtores em uma área de 120 hectares, com processamento anual de 2,3 mil toneladas de uvas. O enoturismo acompanha esse movimento e aproxima a produção da hotelaria, da gastronomia e das experiências de visitação. Algumas propriedades recebem até 600 visitantes por mês, sobretudo durante os períodos de colheita e degustação.
Ferramenta oferece recomendações personalizadas com base no paladar do usuário
A expansão da produção vinícola no Brasil abre espaço para novas formas de conexão entre vinícolas, restaurantes e consumidores. Para simplificar essa jornada, o aplicativo Tchin Tchin auxilia os usuários no planejamento de degustações e encontros enogastronômicos, oferecendo recursos para gerenciar datas, locais, custos e seleção de rótulos.
Complementando o aplicativo, o ecossistema Tchin Tchin oferece o Treine seu Paladar. Disponível pelo navegador, ele reúne lições de cerca de dois minutos que ensinam a escolher vinho no dia a dia. A trilha se organiza pelo objetivo de quem começa, seja comprar no mercado, pedir no restaurante, receber em casa, presentear ou lidar com vinho no trabalho, e trabalha os elementos que decidem uma garrafa: doçura, acidez, corpo, tanino, fruta, leitura de rótulo e harmonização.
“Estamos construindo um ecossistema para oferecer ao consumidor diferentes opções na hora de organizar um evento ou escolher um rótulo no restaurante. O objetivo é facilitar a descoberta do vinho e tornar a experiência mais acessível, inclusive para quem ainda está desenvolvendo seu repertório”, completa Vasconcellos.
Sobre o Tchin Tchin
O Tchin Tchin é um ecossistema digital brasileiro de vinhos voltado à organização de degustações, confrarias e experiências de consumo de vinho em grupo. A plataforma reúne ferramentas de comunicação, gestão financeira e apoio logístico para tornar esses encontros mais simples, estruturados e acessíveis. O aplicativo está disponível gratuitamente na App Store e no Google Play.





