Antonio Machado e Federico García Lorca estão entre os escritores que marcaram a história do hotel, que, mais de um século depois, mantém viva sua relação com a vida cultural da capital catalã
Muito antes de se consolidar como um dos endereços mais emblemáticos da hotelaria de luxo de Barcelona, o Majestic Hotel & Spa Barcelona já ocupava um lugar especial na vida cultural da cidade. Ao longo de mais de um século o hotel recebeu artistas, escritores, intelectuais, jornalistas e personalidades que fizeram de Barcelona um importante centro de circulação cultural.
Entre essas histórias está a passagem de Antonio Machado, em abril de 1938, poucos meses antes de o poeta deixar definitivamente a Espanha rumo ao exílio. Anos antes, em 1935, o Majestic também havia recebido Federico García Lorca, que esteve na cidade para acompanhar a estreia de sua peça Doña Rosita la soltera o el lenguaje de las flores.
A presença desses dois grandes nomes da literatura espanhola ajuda a revelar uma dimensão particular da história do Majestic: a de um hotel que, ao longo das décadas, esteve ligado à vida intelectual, artística e cultural de Barcelona.
Antonio Machado e os últimos meses antes do exílio
Antonio Machado chegou a Barcelona em abril de 1938, acompanhado da mãe, do irmão José, da cunhada e das três sobrinhas. A família se hospedou inicialmente no Majestic, antes de se transferir para a Torre Castanyer, em Sant Gervasi, onde o poeta permaneceria até janeiro de 1939.
Durante sua passagem por Barcelona Machado manteve intensa atividade intelectual e colaborou com o jornal La Vanguardia, para o qual escreveu diversos artigos. Parte desses textos foi posteriormente reunida sob o título “Desde el mirador de la guerra”, aproximando literatura, jornalismo e reflexão sobre o seu tempo.
No Majestic, Machado também esteve próximo de outros intelectuais e escritores, entre eles León Felipe e José Bergamín. A presença desses nomes pelo hotel reforça a importância que o endereço assumiu, naquele período, como espaço de convivência e circulação de figuras da cultura espanhola. Registros históricos apontam que Machado publicou cerca de 30 artigos na imprensa barcelonesa durante sua permanência na cidade.
A relação do hotel com a memória do poeta permanece presente. Uma placa instalada no Majestic recorda sua passagem pelo endereço e, durante alguns anos, uma das suítes do hotel recebeu o nome de Antonio Machado em homenagem à sua trajetória.
Federico García Lorca e a vida cultural de Barcelona
A relação do Majestic com a literatura espanhola remonta ainda à década de 1930. Entre setembro e dezembro de 1935, Federico García Lorca permaneceu em Barcelona durante o período de preparação e apresentação de suas obras na cidade.
A estada do poeta pelo hotel foi especialmente marcante. Em 23 de dezembro daquele ano, escritores e representantes da vida cultural catalã organizaram no Majestic um jantar em sua homenagem, celebrando sua presença na cidade e o sucesso de Doña Rosita la soltera. Fotografias e registros desse encontro permanecem preservados no arquivo histórico do hotel.
Lorca também deixou uma marca material de sua passagem pelo endereço ao escrever, em papel do próprio hotel, o texto Epitafio a Isaac Albéniz . Em 2025, o Majestic voltou a homenagear o poeta com a instalação de uma placa comemorativa, em um encontro que reuniu nomes como Joan Manuel Serrat, Miguel Poveda, o dramaturgo Alberto Conejero e o jornalista Víctor Fernández.
O episódio reforça que a relação entre o Majestic e a literatura não pertence apenas ao passado: a memória de seus hóspedes e a ligação com a cultura continuam fazendo parte de sua identidade.
Endereço ligado à literatura e às artes
A história de Machado e Lorca se soma à passagem de outros nomes relevantes da cultura pelo Majestic, entre eles León Felipe, José Bergamín e Ernest Hemingway.
Durante a década de 1930, o hotel também recebeu correspondentes internacionais, jornalistas e fotógrafos que acompanhavam os acontecimentos da Espanha. Essa convivência entre escritores, artistas e profissionais da imprensa fez do Majestic um endereço particularmente conectado à efervescente vida cultural de Barcelona.
Mais do que uma sucessão de hóspedes célebres, esses episódios revelam a presença do hotel em diferentes momentos da história cultural da cidade — uma tradição que se estende até os dias atuais. Em 2026, por exemplo, o escritor e apresentador Boris Izaguirre foi retratado pela imprensa espanhola em estadias recentes no estabelecimento.
Sobre o Majestic Hotel & Spa Barcelona
Referência entre os grandes hotéis de luxo europeus, o Majestic Hotel & Spa Barcelona combina tradição e sofisticação em um edifício histórico localizado no coração do Passeig de Gràcia. Fundado em 1918 e pertencente à família Soldevila-Casals, o hotel acumula mais de um século de protagonismo na vida cultural e social da cidade.
Ao longo de sua história, recebeu nomes icônicos como Ernest Hemingway e Antonio Machado. Após uma ampla renovação liderada pelo designer Antonio Obrador, o hotel reafirmou seu lugar como um dos símbolos da hotelaria de luxo em Barcelona.
Sua oferta gastronômica, também sob comando do chef David Romero, combina culinária mediterrânea, tradição catalã e influências internacionais. O hotel já recebeu importantes reconhecimentos, como o prêmio de melhor café da manhã da Europa pelo Prix Villégiature (2018) e melhor rooftop de hotel da Europa para o La Dolce Vitae (2019).
Membro da prestigiada The Leading Hotels of the World desde 2014, o Majestic também se destaca por suas iniciativas sustentáveis, com certificações ISO 9001 e 14001, além de experiências que promovem o turismo consciente, como visitas a produtores locais e vinícolas orgânicas.





