Brasil bate recorde de passageiros e aumenta pressão sobre planejamento das viagens de fim de ano

País movimentou 88,6 milhões de passageiros entre janeiro e agosto; com Natal, Réveillon e férias se aproximando, especialista alerta que alta demanda exige atenção não apenas aos preços, mas a hospedagem, horários, deslocamentos e organização do roteiro

Brasil bate recorde de passageiros e aumenta pressão sobre planejamento das viagens de fim de ano

País movimentou 88,6 milhões de passageiros entre janeiro e agosto; com Natal, Réveillon e férias se aproximando, especialista alerta que alta demanda exige atenção não apenas aos preços, mas a hospedagem, horários, deslocamentos e organização do roteiro

As pessoas estão viajando mais. Entre janeiro e agosto de 2026, 88,6 milhões de passageiros foram transportados em voos domésticos e internacionais no país, crescimento de 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

O mercado doméstico concentrou 68 milhões de passageiros, alta de 3,8%, enquanto os voos internacionais transportaram 20,6 milhões, crescimento de 7,6%.

Agosto também entrou para a história da aviação brasileira: foram 11,5 milhões de passageiros em apenas um mês, o maior volume já registrado para agosto.

Os números chegam a cerca de três meses de uma das temporadas mais disputadas do calendário turístico: Natal, Réveillon e férias de verão. 

Para Meg Getz, especialista em turismo internacional com mais de 40 anos de experiência, o crescimento da movimentação aérea é uma boa notícia para o setor, mas também exige atenção de quem ainda está organizando as próximas férias.

“Quando vemos um número tão expressivo de pessoas viajando, ele mostra a força do turismo, mas também chama a atenção para a importância do planejamento nos períodos de maior procura. E não estou falando apenas do preço da passagem. Horários de voos, localização dos hotéis, ingressos, reservas e deslocamentos podem mudar completamente uma viagem”, explica Meg.

Com mais gente viajando, planejamento vai além da passagem

A alta demanda não significa apenas maior disputa por assentos nos aviões.

Destinos muito procurados também podem registrar maior procura por hotéis, atrações, restaurantes, transporte e experiências.

É nesse ponto, segundo Meg, que olhar para a viagem como um todo pode evitar que decisões aparentemente econômicas acabem custando mais.

“Economizar em uma viagem não significa escolher tudo pelo menor preço. Às vezes, aquilo que parece mais barato isoladamente acaba custando mais quando você olha a viagem inteira. Um hotel com diária menor, mas muito distante das atrações, por exemplo, pode gerar mais gastos e horas de deslocamento”, explica a especialista.

Para quem pretende viajar no fim do ano, a orientação é avaliar não apenas quanto cada item custa, mas como as escolhas se conectam dentro do roteiro.

“Tempo também é investimento. Se você passou meses se organizando e gastou dinheiro para estar naquele lugar durante cinco ou sete dias, perder horas todos os dias com deslocamentos desnecessários tem um custo enorme. Um roteiro inteligente tenta fazer o dinheiro render, mas também faz o tempo render”, ressalta Meg.

Nem sempre seguir o roteiro mais famoso é a melhor escolha

Em períodos de grande movimento, a personalização também pode ajudar o viajante a encontrar alternativas às experiências mais disputadas.

Isso pode significar mudar o horário de uma atração, agrupar passeios próximos, reservar determinadas experiências com antecedência ou até incluir bairros, restaurantes e passeios menos conhecidos.

“Todo mundo recebe praticamente as mesmas recomendações nas redes sociais e acaba querendo conhecer os mesmos lugares. Mas uma boa viagem não precisa ser uma corrida para cumprir a lista das atrações mais famosas. Muitas vezes, sair um pouco do roteiro óbvio proporciona experiências incríveis e ainda permite aproveitar melhor o destino”, pontua Meg.

A especialista lembra que o planejamento deve considerar também quem está viajando.

Uma família com crianças pequenas têm necessidades diferentes de um casal. Um grupo de amigas pode priorizar experiências distintas de quem viaja sozinho. Pessoas acima dos 50 anos podem desejar outro ritmo e uma organização diferente dos dias.

“Não existe um roteiro perfeito para todo mundo. Existe o roteiro que faz sentido para aquela pessoa, naquela época e naquele momento da vida. É por isso que planejamento não é simplesmente colocar atrações em uma lista”, explica.

Cinco pontos para observar agora

Para quem pretende viajar no Natal, Réveillon ou nas férias de verão, Meg recomenda atenção a cinco aspectos:

  1. Voos: não olhar apenas o preço, mas horários, conexões e tempo total de viagem.
  2. Hospedagem: avaliar localização e o custo dos deslocamentos antes de escolher apenas pela diária.
  3. Atrações e experiências: verificar quais exigem reserva ou ingresso antecipado.
  4. Logística: organizar atrações próximas no mesmo dia e evitar deslocamentos desnecessários.
  5. Flexibilidade: ter alternativas para atrações e lugares muito concorridos, especialmente durante a alta temporada.

Para Meg, o recorde de passageiros reforça uma mudança importante: com cada vez mais pessoas viajando, planejar bem não significa necessariamente fazer mais coisas, mas aproveitar melhor o tempo e o investimento feito nas férias.

“A viagem memorável não é necessariamente aquela em que você conseguiu conhecer vinte lugares em cinco dias. Muitas vezes é aquela em que o roteiro respeitou seu ritmo, permitiu boas escolhas e deixou espaço para viver o destino, em vez de apenas cumprir uma lista”, conclui.

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