A caminhada rumo à certificação em ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês) é uma constatação.
Após os três primeiros encontros – realizados no Ibiti Projeto em 2023 (Ibitipoca/MG), Barracuda Hotel &Villas em 2024 (Itacaré/BA) e Pousada Literária em 2025 (Paraty/RJ), neste ano a Brazilian Luxury Travel Association (BLTA) reuniu 21 associados no Unique Garden (Mairiporã/SP) entre os dias 13 e 16 de abril, além de consultores e especialistas em temáticas relacionadas ao amplo universo que abrange as variadas práticas de ESG.
Nesses quatro dias do encontro, e após apresentações por parte de convidados e de cases de hoteleiros associados em processo de certificação em ESG, fica uma certeza: para o futuro do turismo brasileiro, sustentabilidade deixou de ser um critério de escolha. Sobretudo no segmento de alto padrão.
“Mais uma vez é uma honra realizar mais um encontro de ESG. Esses eventos ajudam a criar uma rede colaborativa, estimulando parcerias e o desenvolvimento de padrões mais consistentes na cadeia produtiva do turismo brasileiro”, afirmou a CEO da BLTA, Camilla Barretto, ao abrir a jornada.
Depois de um primeiro encontro realizado na Caiman antes da pandemia, em 2023 foram dados os primeiros passos por meio da autoanálise dos associados em relação a práticas socioambientais. Em 2024, algumas certificações foram debatidas e, em 2025, ocorreram a definição de critérios e a estipulação da obrigatoriedade de certificação de todos os membros até o final de 2028. Neste ano, os horizontes se expandiram ao identificar os avanços obtidos nos processos de certificação de alguns associados, assim como o que ainda há a ser feito pela maioria deles.
Pioneirismo e conservação
Com um trabalho pioneiro em conservação ambiental há 48 anos no Mato Grosso do Sul, o presidente do Conselho da BLTA, o empresário e ambientalista Roberto Klabin, defende parcerias com ONGs para preservação da fauna e flora do ecossistema pantaneiro.
Ao apresentar a trajetória de sua propriedade, a Caiman mostrou como transformou uma propriedade familiar em uma área de preservação ambiental e ecoturismo, atuando, de forma consciente, por um futuro mais resiliente.
“Essas práticas são extremamente importantes, pois, além de reforçarem a nossa vocação e a capacidade de receber hóspedes que desejam ter uma experiência em nosso ecossistema, cuidar e preservar a natureza é essencial, pois é a nossa principal vantagem competitiva. Para mim é muito clara a equação: sem preservação não há turismo, não há vida”, diz.
Ainda no primeiro dia do encontro, a chef Morena Leite, fundadora do Instituto Capim Santo, abordou o tema “Impacto Social e o que nos move”. Para ela, é urgente a inclusão social por meio da qualificação, formando profissionais na indústria da alimentação, da hospitalidade e do setor de eventos.
“O respeito à cultura e ao legado cultural das comunidades onde atuamos promovendo capacitação, gerando empregos e dando visibilidade aos protagonistas da própria história são fatores essenciais. Pensar globalmente e agir localmente”, afirma.
Por sua vez, e no dia seguinte, o CEO da empresa de consultoria Sustentabilidade Agora e correalizador do Guia de Hospitalidade Sustentável, Rafael Ávila, enfatizou a incorporação, pelos associados, dos pilares de ESG de forma transversal e permanente na hospitalidade. De acordo com ele, não se deve olhar as certificações apenas como destino ou objetivo. “Toda a jornada importa e não se limita apenas às equipes de sustentabilidade. Obter certificações é uma consequência de uma estratégia muito bem estruturada’’, avalia.
Seja qual for o selo ou certificado escolhido, ele aconselha: “Faça o que você pode, onde você está e com o que você tem. Para o luxo, não basta dizer que faz. É preciso medir, auditar e provar que faz de verdade”, conclui.
Consolidação e vanguarda
Para o diretor do grupo O Canto (Pousadas Literária, Trijunção e Tutabel) e vice-presidente de Sustentabilidade da BLTA, Pedro Treacher, a associação consolida um posicionamento de vanguarda no cenário brasileiro.
No terceiro dia do evento, ele destacou que a entidade reforça que luxo e sustentabilidade andam juntos, exemplificando uma mudança de mentalidade que reposiciona o próprio conceito do que é luxo. “Ainda que seja tímida a jornada rumo às certificações, há um avanço contínuo e consistente no processo em curso de implementação de ações concretas de ESG entre os hoteleiros que atuam no segmento de alto padrão”, analisa.
Com 71 associados (63 hotéis e 8 DMC’s), a meta é alcançar 100% de certificados até o final de 2028 e posicionar a BLTA como referência global em turismo de luxo sustentável. “Um objetivo que exige de nossos associados não apenas adequações técnicas, mas compromisso, responsabilidade e engajamento”, diz Treacher, complementando que, em 2026, a intenção da BLTA é facilitar os caminhos para as certificações por meio dos diferentes processos, trazendo boas práticas e sugestões de quem já avançou.
Atualmente, 21% dos associados já têm certificações, 30% estão em processo de obtenção, 22% avaliando as opções de certificados e 27% ainda não definiram. Diante desse cenário, o vice-presidente de Sustentabilidade acrescenta:
“O processo de certificação em ESG é uma jornada de humildade, fazendo com que sejam reconhecidos os pontos fracos para que possam ser ajustados e melhorados. O luxo é indissociável da sustentabilidade.
Queremos que qualquer viajante ao escolher o Brasil como destino saiba que está defendendo a preservação dos nossos diferentes biomas e a cultura local. Este é o luxo que a BLTA quer e deseja entregar”, resume.
Ainda no penúltimo dia do encontro, e em sintonia com os variados aspectos que compõem os processos de certificações em ESG, a professora Maristela de Souza Goto Sugiyama, mestra do Senac e consultora em hotelaria, abordou a importância dos investimentos em Recursos Humanos, sobretudo no que diz respeito à contínua qualificação da mão de obra, uma bandeira permanentemente hasteada pela BLTA.
De acordo com ela, a formação profissional direcionada para a atuação em empreendimentos hoteleiros em nível técnico ou superior precisa ir além do treinamento em funções operacionais para que se atinja um patamar de hospitalidade de excelência.
Rumo às certificações
“Se a Caimam aderiu a esse processo muito antes de se falar em ESG há mais de 40 anos, há outros associados que ainda estão em fase inicial, mas já entenderam o valor, a importância de abraçar essa questão e de caminhar rumo às certificações.
Nesse sentido, eles enxergam na associação uma segurança para entrar nessa caminhada. Às vezes, quando você tem um desafio grande e está no início, a jornada é muito solitária. Mas quando você persegue esse desafio com o apoio de outros pares, você se sente mais amparado e seguro para alcançar o objetivo.
Dessa forma, a BLTA se coloca como uma grande facilitadora, estimulando que haja apoio de uns aos outros e organizando e catalogando todas as informações”, afirma Camilla Barretto.
Ainda de acordo com a CEO, a diretoria da BLTA se empenhou em atender a todas essas necessidades, construindo uma programação para 2026 que fosse interessante tanto para aquele que já está mais maduro quanto para quem está começando.
Para isso, foram convidados especialistas no assunto e representantes de outras entidades e associações, como: Ana Paula Arbache, CEO da Arbache Consulting; Rafael Ávila, CEO da Sustentabilidade Agora, dra. Caroline Machado da Habitá, projeto de cuidado e reabilitação de fauna silvestre; Fernanda Grottera, da InMix Consultoria; Hélio Brito e Tatiana Pacheco, da ESG Pulse; Rafael Seibel, da positiv.a., e representantes da Comerc Energia; do Sindepat; e da Resorts Brasil.
“Caminhando juntos a gente compartilha boas práticas, encontra convergência e amplia nossa voz. Caminhamos para um turismo mais responsável e, neste sentido, poderemos pleitear políticas públicas que atendam a todas essas necessidades. Poderemos também estimular outras associações evoluir rumo às certificações”, antecipa Camilla.
Em relação ao processo de adesão às certificações entre os associados, a CEO identifica um engajamento cada vez maior. Isso se explica porque também há uma cobrança externa que vem do mercado global para que sejam adotadas as práticas de ESG no dia a dia. “Hoje, a gente não consegue falar de luxo sem falar de sustentabilidade. O mercado tem esse aspecto como um pilar muito importante. Então, temos que caminhar. ESG torna-se a coluna vertebral que dá equilíbrio, sustentação e transforma os processos da operação para que sejam mais organizados e transparentes, de forma que possam ser indicadores mensuráveis e auditáveis”, diz.
“Nós da BLTA entendemos, já há alguns anos, que a sustentabilidade deixou de ser um discurso e passou a ser critério de escolha de muitos dos clientes no segmento de alto padrão. Em relação ao futuro do turismo brasileiro, posso afirmar que a prática de ações sustentáveis no cotidiano dos hotéis deixou de ser uma opção: é uma mudança de comportamento e um caminho sem volta”, afirma.
Ao final do encontro no Unique Garden, os participantes já anotaram em suas agendas. Os próximos encontros de ESG da BLTA deverão ocorrer em 2027 no Rancho do Peixe (Preá/CE) e, em 2028, na Caiman (Miranda/MS).
Hotéis participantes: Anavilhanas Jungle Lodge (Novo Airão/AM), B Hotel (Brasília/DF), Barracuda Hotel & Villas (Itacaré/BA), Botanique Hotel & Spa (Campos do Jordão/SP), Caiman (Miranda/MS), Casa Brasileira Hotel Galeria (Praia do Patacho/AL), Hotel Unique (São Paulo/SP), Hotel Unique Garden &SPA (Mairiporã/SP), Hotel Villa Amazônia (Manaus/AM), OITI by Barracuda(Itacaré/BA), Pedras do Patacho (Porto de Pedras/AL), Pontal dos Carneiros (Praia dos Carneiros/PE), Pousada Literária (Paraty/RJ), Pousada Maria Flor (Fernando de Noronha/PE), Pousada Trijunção (Jaborandi/BA), Pousada Tutabel (Trancoso/BA), Rancho do Peixe (Preá/CE), Txai Resorts (Itacaré/BA), Uxua Casa Hotel & Spa (Trancoso/BA) e Vila da Santa Hotel Boutique & Spa
Operadora de viagem: Matueté Brazil (São Paulo/SP)





