Expedição iniciada em março entra na reta final com passagem pelo Norte e Nordeste antes da chegada a Fortaleza em 12 de setembro
Depois de atravessar cinco continentes sozinho a bordo de um avião monomotor experimental, Alex Frota, idealizador do Frotas Pelo Mundo, entra na reta final da expedição iniciada em Fortaleza em 15 de março. A previsão é retornar à capital cearense em 12 de setembro, dois dias antes de a viagem completar seis meses. Até lá, o piloto fará uma sequência de paradas pelo Caribe e pelo Norte e Nordeste do Brasil.
Ao longo da jornada, o avião atravessou cinco continentes e enfrentou diferentes condições de clima, navegação e operação. Alex afirma ter alcançado os principais objetivos traçados antes da partida. O piloto conta que se tornou o primeiro brasileiro a completar uma volta ao mundo solo passando pelos cinco continentes, enquanto seu RV-10 tornou-se a primeira aeronave desse modelo a realizar o mesmo feito. Agora, o trecho restante é dedicado ao retorno ao ponto de origem.
“Já conseguimos os recordes que buscávamos. Agora, a missão é chegar em casa e concluir o projeto”, destaca Alex.
Uma rota pelos cinco continentes
A viagem começou em Fortaleza e seguiu pelo Norte do Brasil até Boa Vista. Depois, Frota cruzou ilhas do Caribe, entrou nos Estados Unidos por Lakeland, na Flórida, e avançou até Oshkosh, onde pousou em 20 de abril. Dali, iniciou a etapa mais longa do circuito, passando por Canadá, Groenlândia, Islândia, Escócia, Reino Unido e Europa continental antes de seguir pela África, Oriente Médio e Ásia até alcançar a Austrália.
Na sequência, o piloto retomou o percurso em direção ao norte por Timor-Leste, Filipinas, Taiwan e Coreia do Sul, contornou a Coreia do Norte e entrou na Rússia. Depois de atravessar o território russo, seguiu para o Alasca, voltou ao Canadá e retornou aos Estados Unidos. Em 21 de julho, pousou novamente em Oshkosh, mesmo aeroporto de onde havia partido em abril, completando, segundo ele, a versão mais curta da volta ao mundo.
O plano inicial era continuar pelo México, atravessar a América Central e descer pela costa do Pacífico da América do Sul até entrar no Brasil por Porto Alegre. A rota mudou, porém, após dificuldades para obter autorizações de voo no México devido à condição experimental da aeronave. Frota permaneceu quatro dias no país até conseguir permissão para retornar aos Estados Unidos. A partir daí, contornou o Golfo do México, voltou ao Caribe e antecipou a entrada no Brasil pelo Norte.
“De todos os países que visitamos, o México foi o único em que não conseguimos avançar. Tivemos de voltar aos Estados Unidos e redesenhar a rota”, relata.
Retorno ao Brasil terá paradas até Fortaleza
O novo cronograma prevê uma sequência de pousos até a chegada ao Ceará. Depois de Porto Rico, em 26 de agosto, e Barbados, no dia seguinte, a programação estabelece a entrada no Brasil por Boa Vista, em 28 de agosto.
Manaus recebe a expedição nos dias 29 e 30, seguida por Santarém, em 31 de agosto. Em setembro, estão previstas paradas em Belém nos dias 1º e 2, no Maranhão nos dias 3 e 4, em Teresina nos dias 5 e 6, em Recife nos dias 7 e 8 e na Paraíba nos dias 9 e 10.
Natal aparece no roteiro de 11 de setembro. No dia seguinte, a previsão é passar por Aracati antes do pouso final em Fortaleza.
Mesmo com o Brasil novamente próximo, Frota afirma que a missão ainda exige atenção. Parte do caminho inclui novos trechos sobre a região amazônica e voos sujeitos a mudanças meteorológicas.
“A perspectiva muda conforme a gente vence as barreiras e mostra que é possível. O que parecia extraordinário passou a ser visto como normal. Mas o perigo continua lá. Ainda tem muito voo pela frente e precisamos manter a guarda levantada até chegar em casa”, diz.
Do frio da Groenlândia ao calor do Oriente Médio
As condições climáticas estiveram entre os principais desafios enfrentados durante a expedição. Frota relata chuva intensa sobre a Floresta Amazônica, temperaturas de menos 22 °C na Groenlândia e calor acima de 50 °C durante a passagem pelo Oriente Médio.
Na Groenlândia, as baixas temperaturas exigiram a troca do óleo utilizado pelo avião. No extremo oposto, o calor encontrado no Egito e em outras regiões do Oriente Médio provocava superaquecimento mesmo com a aeronave parada no solo e o motor funcionando em marcha lenta.
“Passamos de temperaturas abaixo de 20 graus negativos para mais de 50 graus na pista. Na Groenlândia, o avião chegou a congelar e tivemos de usar outro óleo. No Oriente Médio, algumas peças chegaram a sofrer com o calor extremo”, conta.
Na Ásia, a expedição coincidiu com o período das monções e com a presença de tufões. Já durante a travessia da Sibéria, o desafio estava na geografia, com grandes extensões pouco habitadas e poucas alternativas de aeroportos e cidades.
GPS burocracia e panes também mudaram a viagem
A passagem por regiões afetadas por conflitos acrescentou dificuldades tecnológicas e burocráticas. Frota relata que encontrou áreas sem sinal confiável de GPS, o que o obrigou a recorrer a sistemas de radionavegação e, em determinadas situações, a métodos tradicionais com mapa e cronômetro. “Em parte daquela região, não dava para contar com o GPS. Era preciso ter alternativas de navegação porque não podíamos depender de um único sistema”, afirma.
As autorizações para voar também se transformaram em um dos principais pontos de tensão. Nas Filipinas, ele ficou mais de uma semana aguardando uma solução para conseguir uma escala antes de chegar à Rússia. A Coreia do Sul acabou sendo incluída na rota após tratativas para viabilizar a passagem.
“O desafio burocrático era o que mais me preocupava porque não dependia só de mim. O clima você acompanha, o avião você prepara, mas uma autorização pode simplesmente não sair”, diz.
Entre os problemas mecânicos, um dos mais delicados ocorreu em Melilla, território espanhol no norte da África. Frota afirma ter pousado com vazamento de combustível provocado por furos no tanque e precisou realizar um reparo antes de retornar à Europa.
Outro episódio ocorreu entre África e Ásia, quando um problema elétrico se agravou no trecho entre Dubai e Índia e levou cerca de duas semanas para ser solucionado.
Distância da família marcou os quase seis meses
Além das dificuldades técnicas, o tempo longe da família aparece entre os aspectos mais sensíveis da experiência. Frota calcula que o maior período sem encontrar os familiares tenha chegado a aproximadamente 70 dias.
O primeiro reencontro ocorreu em Portugal, cerca de 45 dias depois da partida. A família voltou a encontrá-lo em Oshkosh, em julho. O próximo encontro está previsto para acontecer justamente na chegada a Fortaleza.
“Essa parte da saudade da família me pega muito. É uma viagem longa e muito demandante, mas agora está acabando. Estamos chegando em casa”, afirma.
Para ele, uma das conclusões da experiência é que projetos de grande dimensão não dependem apenas de planejamento técnico.
“Qualquer pessoa que realmente queira realizar um projeto significativo consegue, mas precisa entender que vai exigir disciplina, planejamento, perseverança e força para superar o que aparecer. Um projeto grande sempre envolve algum tipo de sacrifício”, diz.
Depois da chegada ao Ceará, o plano é encerrar a atual expedição antes de iniciar uma nova fase do Frotas Pelo Mundo. Para novembro, Frota projeta um Giro pelo Brasil, uma viagem mais curta, estimada entre 20 e 30 dias, com paradas associadas à realização de palestras.
Antes disso, porém, ainda falta completar o caminho iniciado seis meses antes.
“A missão ainda não acabou. Ainda temos muitos riscos para gerenciar até chegar em casa. Mas estamos indo”, afirma.
Sobre Alexandre Frota
Alexandre Frota, conhecido como Alex Frota, é administrador de empresas formado pela Universidade de Fortaleza, com MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC. É gestor de recursos e administrador de carteiras credenciado pela CVM, com certificações CGA, CFP® e CEA.
Apaixonado por aviação desde a infância, tirou o brevê aos 44 anos. Aos 53, lidera o Projeto Frotas Pelo Mundo, iniciativa que realiza a primeira volta ao mundo solo, em monomotor, feita por um brasileiro cruzando os cinco continentes.
Alex Frota é mais conhecido como Alex Bacana, apelido que ganhou em referência ao personagem da série Armação Ilimitada.
Sobre o Frotas Pelo Mundo
O Frotas Pelo Mundo nasceu como um diário de bordo e se transformou em um projeto de alcance internacional, com comunidade digital ativa e estrutura de produção dedicada. A jornada prevê 74 mil quilômetros, 45 países e 150 dias de voo, com cobertura multiplataforma e desdobramentos em educação, cultura, tecnologia e impacto social.
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