Debate mediado por Leandro Pimenta, CEO da tg.mob, na 5ª LGBT+ Turismo Expo destacou os desafios da inclusão nas viagens
Tornar um destino verdadeiramente inclusivo vai além de investir em infraestrutura e acessibilidade física. Conhecer o perfil dos viajantes, capacitar profissionais, desenvolver políticas públicas e promover um ambiente acolhedor foram apontados como fatores determinantes para oferecer experiências de viagem mais seguras e positivas durante o painel “Saúde, bem-estar e acessibilidade: pilares para experiências de viagem inclusivas”, realizado na 5ª LGBT+ Turismo Expo, em São Paulo.
O debate foi mediado por Leandro Pimenta, CEO da tg.mob, e reuniu Leonardo Resende, gerente de Desenvolvimento e Governança Turística da Fundtur-MS; Saulo Santos, secretário de Turismo de São Luís (MA); e Enzo Avezum, desenvolvedor de Negócios da Guidder Travel, representante da GJ Travel no Brasil.
Ao longo da conversa, os painelistas ressaltaram que a hospitalidade e a preparação dos destinos começam muito antes da chegada do visitante. Para Leonardo Resende, compreender quem é o turista e quais são suas expectativas é o primeiro passo para estruturar políticas públicas eficientes. Como exemplo, ele citou uma pesquisa inédita desenvolvida pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul para identificar o perfil e as motivações do público LGBT+ com mais de 50 anos, estudo que servirá de base para novas ações do estado.
Além do levantamento, Leonardo destacou iniciativas do estado do Mato Grosso do Sul, como o Programa Turismo Inclusivo e Acessível, que reúne ações voltadas à acessibilidade, elaboração de manuais de atendimento e capacitação do trade turístico. Segundo ele, envolver pessoas que vivenciam essas realidades na formulação das políticas públicas contribui para criar ambientes mais acolhedores e com maior sensação de pertencimento.
Representando São Luís (MA), Saulo Santos destacou que a construção de um destino inclusivo passa necessariamente pela qualificação permanente dos profissionais do setor. Desde 2021, a capital maranhense promove treinamentos, ações de sensibilização e orientação para guias de turismo e empresas, além de desenvolver um manual de atendimento voltado ao público LGBT+, inspirado em materiais do Ministério do Turismo.
“É um trabalho de formiguinha, contínuo, para quebrar barreiras e preconceitos. Não é só incluir, mas entender que esse é um mercado importante, assim como o mercado prateado ou o afroturismo. Sem preconceito e com igualdade”, destacou.
Já Enzo Avezum chamou atenção para outro aspecto decisivo: a sensação de segurança durante toda a jornada do viajante. Segundo ele, turistas LGBT+, especialmente os mais maduros, costumam pesquisar previamente aspectos como legislação, receptividade e riscos de discriminação antes mesmo de escolher um destino. “O viajante busca tranquilidade para viver a experiência, sem receio de passar por situações constrangedoras. A tecnologia é importante, mas ela precisa caminhar ao lado do bem-estar, do acolhimento e de experiências que respeitem o ritmo e as expectativas de cada pessoa”, afirmou.
Durante o painel, Leandro Pimenta também destacou que o planejamento deve ser feito com cuidado e conhecimento, lembrando que conhecer as particularidades de cada destino é essencial para garantir uma viagem segura e adequada ao perfil do viajante. “O debate mostrou que a acessibilidade para o público LGBT+ maduro tem que começar bem antes da viagem, no planejamento, na qualificação das equipes e na forma como cada viajante vai ser recebido. É essa soma de fatores que transforma um destino em um lugar verdadeiramente acolhedor”, concluiu o CEO da tg.mob.





