Aberto em agosto, o restaurante do chef Alex Gregory transforma referências do mar, do mangue e da mata em uma cozinha autoral, de raízes baianas e técnica italiana.
O dendê chega como perfume. A fumaça aparece de maneira discreta, o coco traz frescor e a acidez equilibra o prato. Ao redor, a iluminação amarela recorta cerâmicas produzidas na região, enquanto a música acompanha o jantar sem interromper a conversa. É nesse ritmo que o Mazé encontrou seu lugar no Quadrado Histórico de Trancoso. Inaugurado em agosto de 2026, o restaurante do chef Alex Gregory passou a manter suas 17 mesas ocupadas praticamente todas as noites. O movimento não se explica apenas pela localização privilegiada. Com serviço à la carte, menu degustação, bar de coquetéis e carta de vinhos, a casa acrescentou à gastronomia local uma proposta bem definida: interpretar o Sul da Bahia por meio dos ingredientes, das paisagens e das pessoas que formam o território.
O menu está organizado em torno de três ambientes: mar, mangue e mata, e reúne pratos como Beiju & Caranguejo, Vieiras & Maracujá, Polvo Agrumi, Peixe & Jasmim, Camarão & Capim-Santo, Caramelli de Lagosta e Carne de Sol Mazé. São combinações que aproximam pescados, mariscos, frutas, raízes, ervas e carnes brasileiras de técnicas contemporâneas, sem descaracterizar seus sabores. No Peixe & Jasmim, o lombo de peixe recebe uma defumação sutil e chega acompanhado de arroz jasmim com coco e beurre blanc. Já o Camarão & Capim-Santo combina camarão confitado, creme de coco infusionado, crumble salgado e dendê cítrico. A Carne de Sol Mazé é curada na própria casa e servida com pavê de mandioca, molho de vinho tinto e melaço de cana. Curas, fermentações, massas frescas e molhos de preparo demorado aparecem como recursos técnicos, nunca como distração.
O nome do restaurante homenageia Maria José, a Mazé, mãe do chef. É também pelo lado materno, por meio da família italiana Dal Lago, que Alex herdou a proximidade com massas, molhos, risotos e longos almoços familiares. Da família paterna, formada por avós baianos, vieram o dendê, os pescados, os mariscos, as raízes, a carne de sol e a cozinha generosa do Nordeste. No Mazé, essas duas heranças se encontram, mas é a Bahia que ocupa o centro do prato.
Antes de chegar ao Quadrado, Alex comandou durante 15 anos o restaurante Gregory, no interior de São Paulo, e esteve à frente do Gambero, em Porto Seguro. Estagiou no Maní, restaurante de Helena Rizzo reconhecido pelo Guia Michelin, e participou de projetos com chefs como Olivier Anquier, Solange Borges e Jefferson Rueda. Também foi reconhecido pela Federazione Italiana Cuochi, venceu uma competição da revista Prazeres da Mesa, apresentou o programa Além da Mesa e criou o Curso Mestre Churrasqueiro, realizado em várias edições.
A identidade do Mazé também se revela no salão. Tons de areia e verde-musgo, peças de artistas locais e louças da Gaya Cerâmica conferem personalidade ao ambiente, sem excessos. Bossa nova e música lounge completam a atmosfera acolhedora. O resultado é uma casa adequada tanto para um jantar demorado quanto para uma noite de coquetéis, vinho e boa conversa. Com mesas concorridas e uma cozinha que evita reproduzir fórmulas, o Mazé tornou-se um dos endereços a incluir na agenda antes mesmo de chegar a Trancoso. Mais do que acompanhar o crescimento da rota gastronômica do destino, o restaurante amplia seu repertório ao apresentar uma Bahia delicada, inventiva e segura de sua própria identidade. “Sou enraizado na cozinha italiana, ela sempre vai aparecer. Mas o Mazé nasceu para falar da Bahia”, resume Alex Gregory.
Serviços:
Endereço: Praça São João Batista, 260, no Quadrado histórico de Trancoso, Porto Seguro (BA)
Rede Social: @mazetrancoso
Reservas: https://v2.reservamesa.com.br/





