Temporada das baleias-jubarte inicia fomentando turismo de natureza em Porto Seguro

Com a chegada de julho, Porto Seguro dá início a uma das temporadas mais emocionantes do turismo de natureza brasileiro: o avistamento das baleias-jubarte. Até outubro, milhares desses gigantes dos mares cruzam o litoral baiano após uma migração de cerca de 9 mil km entre a Antártica e as águas quentes do Brasil, onde encontram condições ideais para acasalar, dar à luz e amamentar seus filhotes.

A expectativa para 2026 é de mais uma temporada histórica, consolidando o município como um dos principais destinos do whale watching no país e ampliando o interesse de visitantes em experiências sustentáveis e de conexão com a vida marinha.

Os resultados dos últimos anos demonstram o crescimento desse segmento turístico em Porto Seguro. Na temporada passada, aproximadamente 250 baleias foram registradas na região e cerca de 3.200 turistas participaram dos passeios embarcados.

Para este ano, a expectativa é receber cerca de 4 mil visitantes nesta experiência, fortalecendo um nicho que movimenta a economia local ao mesmo tempo em que promove educação ambiental e conservação.

A observação das jubartes também complementa o calendário turístico do destino durante o segundo semestre, ampliando a permanência dos visitantes e diversificando os atrativos além das praias e do patrimônio histórico.

A baleia-jubarte impressiona pelo porte e pelos comportamentos. Pode alcançar até 16 metros de comprimento e pesar cerca de 40 toneladas. Suas nadadeiras peitorais, que chegam a quatro metros de comprimento, inspiraram o significado do nome científico: “grandes asas”.

Os machos são famosos pelos longos e complexos cantos, utilizados durante o período reprodutivo para atrair fêmeas e competir entre si.

Outro detalhe curioso está na parte inferior da cauda, onde cada baleia possui um desenho exclusivo em preto e branco, semelhante a uma impressão digital, utilizado pelos pesquisadores para identificação individual.

Diferentemente de outros grandes predadores marinhos, as jubartes não possuem dentes, mas barbatanas que filtram a água para capturar krill e pequenos peixes.

Preservação

A presença das jubartes na costa brasileira representa uma das maiores histórias de sucesso da conservação marinha. Após séculos de caça comercial, a população do Atlântico Sul foi reduzida a poucas centenas de indivíduos até a proibição da atividade, na década de 1960.

O cenário começou a mudar em 1988, quando pesquisadores redescobriram uma pequena população sobrevivente durante as atividades de implantação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.

A partir desse trabalho nasceu o Instituto Baleia Jubarte, fundado em 1996 pelos pesquisadores Márcia Engel e Enrico Marcovaldi, referência nacional em pesquisa científica, educação ambiental e conservação.

Graças às ações desenvolvidas ao longo das últimas décadas, a população estimada na costa brasileira cresceu de cerca de mil baleias nos anos 1980 para mais de 30 mil atualmente, permitindo que a espécie deixasse a lista oficial de animais ameaçados de extinção em 2014.

Para viver essa experiência de forma responsável, a recomendação é optar por operadoras comprometidas com a conservação e que sigam rigorosamente as normas ambientais. Em Porto Seguro, a Prefeitura mantém parceria com a Cia do Mar, empresa que realiza os passeios em conjunto com o projeto de conservação.

A atividade segue as regras estabelecidas pelo IBAMA, que proíbem aproximação inadequada das baleias, perseguição dos animais, interrupção de seu deslocamento, mergulho com os cetáceos e qualquer comportamento que provoque estresse ao grupo, especialmente quando há mães com filhotes. Também são adotados procedimentos de navegação silenciosa, distâncias mínimas de observação e orientações de segurança aos passageiros.

Além de um passeio turístico, o avistamento das baleias-jubarte proporciona uma experiência transformadora.

Cada salto, batida de cauda ou sopro observado no horizonte revela a força da natureza e lembra a importância da conservação dos oceanos. “Em Porto Seguro, esse encontro entre visitantes e uma das maiores espécies do planeta traduz o equilíbrio entre turismo, ciência e preservação ambiental, tornando cada saída ao mar uma oportunidade de contemplação, aprendizado e respeito à vida marinha”, frisa o secretário de Turismo, Guto Jones.

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